Reforma na fachada: Pintura e textura

Está querendo reformar? Trouxemos um artigo publicado na Revista Direcional Condomínios com informações para que você não erre na hora de mexer com a pintura.

♦ Saiba qual a melhor hora para pintar:

A presença de manifestações patológicas na pintura indicará o momento de se entrar com repintura. Infiltração de água através de fissuras e/ou trincas, bolhas, descascamento, pulverulência da tinta devido à degradação da resina e descoloramento representam as principais manifestações.

O tempo com que essas manifestações surgem, decorrido da aplicação anterior, varia em função das condições de exposição do edifício, bem como da qualidade da tinta empregada e da espessura da película aplicada.

Fachadas menos ensolaradas, voltadas para a direção preferencial das chuvas dirigidas, áticos, caixa d’água, platibandas superiores, molduras horizontais etc., costumam se deteriorar antes se comparadas com locais mais protegidos. Desta forma, necessitam de especificações mais rígidas. Por exemplo, no caso das tintas, de uma demão a mais.

Os serviços de pintura e restauração das fachadas podem ser executados em qualquer época do ano. Entretanto, é mais recomendável entre abril e setembro, uma vez que é o período de maior estiagem. Em tempos chuvosos devem ser respeitados os limites de aplicação quanto à umidade relativa e à temperatura, além de poder ocorrer perdas de material por chuvas repentinas.

♦ Os procedimentos mínimos a serem adotados pelos fornecedores:

É sempre aconselhável que a avaliação do estado do sistema de revestimento (chapisco + emboço + pintura e/ou revestimentos cerâmicos, textura acrílica etc.) seja realizada por profissionais com experiência no assunto. Há diversas empresas de consultoria no mercado, bem como laboratórios de ensaios, habilitados para um diagnóstico da condição da fachada. Esses profissionais e/ou empresas avaliarão, sob vários aspectos, a necessidade de uma intervenção reparadora ou indicarão um projeto executivo, que certamente terá sentido quando da necessidade de intervenções no sistema de revestimento como um todo.

♦ Toda fachada deve ser lavada antes da pintura ou textura:

É recomendável que a fachada seja lavada por hidro jateamento de forma a remover os poluentes e microrganismos aderidos, eventuais eflorescências, materiais pulverulentos, bem como facilitar a identificação de fissuras, bolhas etc., para que essas sejam corrigidas antes da pintura e/ou texturização.

A técnica ideal para a limpeza de fachada é o hidrojateamento (normalmente utiliza-se pressão máxima de 1000 psi), combinada com a utilização de sabões neutros. A periodicidade de lavagem depende do grau de exposição a que está sujeita a fachada e do tipo de acabamento do revestimento, capaz de reter mais ou menos sujidades.

No caso das texturas acrílicas, se houver necessidade de reparar alguma área danificada, recomenda-se: demarcar a região, protegendo o entorno com um filme plástico ou papel; remover a textura degradada com auxílio de ferramentas apropriadas; limpar o substrato; e aplicar a nova textura de acordo com as recomendações do fabricante do produto.

(Edifícios residenciais vistos do Parque Barigui – Foto por Jailson Rodrigo Pacheco)

♦ Especificações das tintas disponíveis no mercado:

A norma da ABNT, a NBR 15079/2011 (Sobre Tintas para construção civil – Especificação dos requisitos mínimos de desempenho de tintas para edificações não industriais – Tintas látex nas cores claras), estabelece as seguintes definições:

⇒ Tinta látex Econômica: corresponde ao menor nível de desempenho de uma tinta látex, independentemente do tipo de acabamento proporcionado (fosco, acetinado, semibrilho ou qualquer outra definição). Indicada exclusivamente para ambiente interior, ela deve atender no mínimo às especificações indicadas nessa norma;

⇒ Tinta látex Standard: tinta látex fosca indicada para ambiente interior/exterior e que deve atender no mínimo às especificações indicadas na referida norma;

⇒ Tinta látex Premium: indicada para ambiente interior/exterior e que deve atender no mínimo às especificações indicadas na referida norma.
Em termos de desempenho, a tinta látex Premium tem critérios mais rigorosos para os requisitos estabelecidos e, dessa forma, espera-se que ela apresente melhor desempenho que a Standard, a qual, por sua vez, possui critérios mais rigorosos em relação às tintas Econômicas.

Todavia, a aquisição desses materiais deve ser baseada em resultados de ensaios de desempenho, alguns estabelecidos na ABNT NBR 15079/2011, e não em preços e/ou marcas, ou indicação de pintores, amigos etc.

Além dos ensaios estabelecidos nessa norma, considera-se fundamental medir o teor de sólidos de resina e as propriedades de absorção de água e de permeabilidade ao vapor de água desses materiais. A partir da análise combinada desses resultados é possível selecionar a tinta que apresentará melhor desempenho, que certamente será mais durável.

♦ Orientações básicas para a execução de pinturas:

⇒ Antes da pintura, o usuário deverá avaliar a condição do emboço, corrigindo eventuais anomalias. É importante a realização de uma inspeção para verificar a presença de regiões com som cavo e mapeamento dessas áreas.

Dependendo da área comprometida, tornam-se necessárias correções antes da aplicação da pintura. Nessa etapa é importante também a correção de fissuras, remoção de eflorescência, correções de locais de infiltrações de água, tais como em peitoris de janelas, rufos etc.

A substituição de toda a argamassa de emboço é uma tarefa muita difícil de ser realizada e de alto custo. Desta forma, a sua substituição somente deverá ser empregada quando as possibilidades de recuperação forem esgotadas. Essa avaliação demanda profissionais competentes com experiência no assunto e/ou consultores e laboratórios de ensaios que estão habilitados para um diagnóstico da condição da fachada e as recomendações para a recuperação.

 As pinturas não devem ser aplicadas sobre emboços pulverulentos e/ou com baixa resistência superficial ao risco;
As pinturas não devem ser aplicadas sobre substratos úmidos, molhados e expostos à ascensão capilar.
⇒ Arestas, arremates horizontais e superfícies com pouca inclinação devem ser objetos de detalhes arquitetônicos que evitem que a água se acumule sobre essas superfícies ou cause depósito de sujidades e manchas indesejáveis, ao escorrer sobre a superfície do revestimento;
 Da mesma forma, as fachadas, sempre que possível, deverão apresentar detalhes arquitetônicos que facilitem o escoamento do filme de água. Entre eles, são imprescindíveis os peitoris, cornijas e rufos. Esses detalhes construtivos devem ser providos de pingadeiras, cuja função é “quebrar” a linha d’água evitando que a mesma escorra pelas fachadas;
 Durante a pintura, o usuário deverá controlar a diluição indicada pelo fabricante e garantir o consumo mínimo recomendado. Este deverá ser obtido e mantido em todo o processo, tomando por base a quantidade de tinta que entra na obra;
 Coletar amostras aleatórias das tintas que entram na obra e enviá-las a um laboratório de ensaios, com objetivo de verificar a manutenção da qualidade da tinta tal como especificado. 

(Foto: Memória da Curitiba Urbana)

 Impermeabilização das fachadas antes da pintura:

A aplicação de alguma argamassa com propriedades impermeabilizantes pode ser uma alternativa interessante quando se tem histórico de infiltrações no interior das edificações através do revestimento das fachadas. Todavia, são necessárias avaliações prévias para verificar:

⇒ Condições do emboço quanto à presença de anomalias (som cavo, fissuras, resistência superficial e resistência mecânica);

⇒ Compatibilidade mecânica e química da argamassa a ser aplicada com o emboço e desta com a pintura a ser aplicada sobre ela;

⇒ Determinação da resistência de aderência à tração da argamassa aplicada ao emboço. Essa atividade pode ser realizada em protótipos.

⇒ Análise laboratorial da argamassa a ser aplicada para verificar as propriedades impermeabilizantes informadas, suas propriedades de absorção de água por capilaridade versus permeabilidade ao vapor de água, bem como ensaios de desempenho do comportamento do sistema (emboço + argamassa impermeabilizante + pintura);

⇒ Definição do processo para a remoção de toda a pintura anterior e aplicação do novo sistema.

Para essa etapa, a norma ABNT NBR 13245/2011 (Sobre Tintas para construção civil – Execução de pinturas em edificações não industriais – Preparação de superfície) oferece diretrizes importantes de preparo do substrato de aplicação. 

♦ O que diz a nova norma de desempenho da ABNT (NBR 15.575/2013), que trata de parâmetros para a durabilidade, garantia e vida útil dos materiais e sistemas construtivos:

A NBR 15575/2013, norma da ABNT, é uma norma de vital importância para o Brasil, e que já existe em outros países há bastante tempo. Ela surge como um divisor de águas para o mercado imobiliário de construção residencial de qualquer padrão, envolvendo toda a cadeia produtiva agregada. Estabelece padrões mínimos de qualidade para as edificações que deverão ser observados desde a fase de projeto, instituindo níveis mínimos de qualidade em diversos sistemas que compõem uma edificação, bem como define a vida útil dos seus diversos sistemas.

Ou seja, a NBR 15575, além de estabelecer requisitos e critérios (limites) de desempenho, que servem para dirimir dúvidas entre a opinião de um usuário e o trabalho feito pelas construtoras, estabelece incumbências para todos intervenientes no processo, como os fornecedores, construtoras e incorporadoras, projetistas e usuários.

No caso especifico da vida útil estabelecida para as pinturas de fachadastexturas acrílicas e revestimentos aderidos, é bom frisar que o mercado pode disponibilizar produtos adequados à obtenção do período de vida útil, até superior. Mas a obtenção desse desempenho não depende somente do produto em si (tinta, textura), mas de um substrato adequado, de mão de obra qualificada para a aplicação, da aplicação no consumo recomendado, bem como a instituição de programas de manutenção preventiva.

Então, fica o alerta da importância de que todos os síndicos e responsáveis por qualquer edificação busquem tomar conhecimento da abrangência dessa norma e a forma correta de empregá-la nos serviços de manutenção, reforma, construção etc. A ideia é exigir, quando aplicável, o atendimento aos requisitos mínimos da norma em cada etapa da construção e/ou manutenção, para que não ocorram, em função de eventual falha em um dos elementos construtivos, danos ao sistema como um todo.

*Artigo elaborado por Carlos Eduardo Carbone e Osmar Hamilton Becere (Pesquisador do IPT-SP e Mestre em Engenharia pelo IPT-SP) e originalmente publicado na Revista Direcional Condomínios.

*Imagens: Memória da Curitiba Urbana e Skyscraper Curitiba.